segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A coisa - The Stuff - 1985



A Coisa é o típico filme B dos anos 80, ruim e bom ao mesmo tempo. O IMDb também o classifica como comédia, mas eu tenho a sensação de que essa não era exatamente a intenção do Larry Cohen. O que acontece é que ele é tão trash que chega a ser cômico, talvez um pouco propositalmente.

David “Mo” Rutherford (Michael Moriarty) é um ex-integrante do FBI contratado pelos donos de fábricas de sorvete para investigar uma estranha e nova sobremesa que tem tomado conta do mercado. Enquanto isso, um garoto chamado Jason (Scott Bloom) descobre que esse mesmo produto parece ter vida própria ao vê-lo se mover em sua geladeira.

A Coisa é um filme divertido pelos mesmos motivos que o torna trash. O roteiro e os personagens são tão absurdos e caricatos que só pode ser piada. Personagens como ‘Chocolate Chip’ Charlie (Garrett Morris) e o Coronel Malcolm Spears (Paul Sorvino) são impossíveis de se levar a sério, e a introdução desse último num roteiro já duvidoso apenas serviu para deixar tudo ainda mais ridículo.


Porém, Larry Cohen se aproveita desses apetrechos para fazer algumas críticas. Em diversos momentos A Coisa (esse é nome da coisa) é tratada por alguns personagens como se fosse uma arma usada para escravizar os cidadãos (como se houvesse alguém por trás dela), uma clara metáfora à paranóia contrária ao comunismo que o mundo viveu após a Segunda Guerra. 
O filme também critica abertamente o consumismo desmedido e o poder da propaganda. E fica difícil não se lembrar da Coca-Cola: um produto de receita desconhecida, que dominou o mercado tendo como principal motivo para isso o fato de viciar o consumidor.
O que acontece é que, no final das contas, os absurdos, clichês, furos e efeitos especiais de mau gosto são tantos que acabamos chutando o balde e entrando nessa onda risível. O negócio é desencanarmos de todas as baboseiras e apreciarmos o filme sem medo de ser feliz!